e esperando placidamente, as soluções plácidas para os seus anseios e inquietações furiosas
Mostrar mensagens com a etiqueta Margarida Faro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Margarida Faro. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Deixa andar
E se alguém vier dizer-te que te amo,
não acredites, não ligues, deixa andar.
É fantasia minha, sem sentido nem lugar,
bebedeira de Absoluto a curto prazo, sem pertença.
Já nem eu sei se de tanto sou capaz.
Não sei se estou longe de ti, aqui onde te guardo,
se estou contigo na infinita distância
que vai de um ser a outro, e nos separa.
Ter palavras e ter cara parece que não basta.
Há sempre um silêncio grosso entre as pessoas.
Se a vida nos sustenta, se nos tenta,
e, depois, nos atraiçoa e não compensa,
porque nos nascem sonhos como doença
que só o tempo, como a tudo o resto, cura?
In 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)
Roubado daí: http://www.facebook.com/pages/Quem-l%C3%AA-Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen/112890882080018
domingo, 24 de julho de 2011
GOSTA DE MIM
Eu trago nome de flor,
mas, sou mais picos do que rosa.
Neste silêncio de floresta queimada,
sou perigosa,
e, na surpresa da esperança,
a ilusão que os teus passos trazem
podia até fazer-me mal.
Gosta de mim à distância,
que é a maneira de não te magoares.
A minha vida é uma sucessão de becos
que venço porque me mato por dentro,
uma cadeia de revezes
toda enfeitada de espinhos.
Gosta de mim sem proximidade,
que a minha sanidade está por um fio.
Se me penso na curva quieta de rio,
onde a água canta nas pedras
e os torvelinhos se acalmam,
baixo a guarda. Logo desperto,
para dar comigo, outra vez, perdida de mim,
no deserto.
Gosta de mim, de aí, lugar a salvo,
para lá deste muro de marfim,
não vá eu cair na asneira de sentir
que chegou a minha hora de abrir
janelas Para a Alma,
e ser feliz.
Poema tirado daqui. Pela empatia. Agradecida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)