sexta-feira, 5 de março de 2010

Teimosia

Penso na imensa informação,
Catastrófica,
Que me penetra o cérebro,
Bombardeado dia após dia.
E uma bomba não é confeito.
Mata, estropia.
Ainda não me apetece adormecer ou ficar anestesiada.

Por isso pergunto:
Para quando
Notícias dos arco-íris do meu País e do Mundo?
Não são uma coisa boa?
Ninguém os valoriza?
Quem disse que não são importantes?
Eles existem!

Vivemos? Damos valor à Vida?
Ou estaremos de passagem?!
Para onde?

Como deixamos ser o que somos?
Quem nos ensinou a ser como somos
E que assim é que está bem!
Com afecto
Quem ensinará a sermos diferentes?
A fazer diferente do que fazemos.
Que este fazer não está correcto!

Quando sentir a verdade do que condenamos.
Não falar por falar...
Onde estão as Pessoas?
As do Bem?

Entretanto, tu tremes.
Mais ali do que acolá.
Espreguiças-te.
Sacodes todos os seres vivos do teu lombo arredondado,
Quais gotas de água um cão sacode
do seu pelo molhado.

Em vez de olharmos para os nossos pés e para o lado
Olhamos o Céu!
Achamos milagres.
Choramos os idos.
E agradecemos continuarmos cá.
Ao mesmo céu que se abateu sobre nós.
Não há sofrimento na terra que o céu não possa curar...

Nós os que continuaremos de pés fincados em ti.
E reconhecem
A fazer-te pouco bem,
A tratar-te sem respeito,
Pedimos: Desculpa-nos.
Desculpa-nos Terra-nossa-casa que te espreguiças
E enfadada nos expulsas,
Impeles, rejeitas,
Arrastas. Ai!
Continuamente.

Desculpa-nos
Tu que estremes, ondulas, vibras,
Incomodada, suponho.
Todos os dias e a toda a hora.
Basta olhar-te d'aqui.

2 comentários:

Eliane F.C.Lima disse...

Querida Guidinha,
Vim agradecer todas aquelas visitas generosas que você me fez. E estou andando por seus blogues. Vi a Cora Coralina, minha querida poeta acima, e agora a sua poesia. E diz que não escreve. Retribuo sua poesia com um poema que fiz, com o mesmo sentimento de gratidão de nosso primeiro e único lar.

Esse útero

Eliane F.C.Lima

Navega no espaço, solta e silenciosa,
como um seio-esfera,
como totalidade,
a mãe.
Fechada sobre si,
fechada sobre mim,
abraça a cria: mãe.
Abre seu ventre
e me dá ao universo,
no meio da noite.
Olhos de água,
corpo de terra,
hálito de vento,
mãos de árvores que me acenam,
na tempestade.
Amamenta-me com seus rios, cascatas, sua chuva.
Deusa-Terra, mãe Gaia,
que me guarda,
que me receberá
novamente e para sempre,
filha de sua mãe,
em seu rotundo ventre.

Um abraço forte,
Eliane F.C.Lima

Guidinha Pinto disse...

Vou fazer do seu poema Esse Útero uma postagem neste blog. Afinal até está assinado pela autora. É uma satisfação enorme, encontrar do outro lado do planeta (quase em frente, mas muito além) uma mulher dos meados do século XX como eu, que se importa como eu ... e me lê. E me envia um poema que eu compreendi ser quase uma prece.
Obrigada por partilhar essa prece tão intimamente.
Um grande "aquele abraço"