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Parece gente a viver
Move-se em gestos sem tento
Perante o meu pensamento
Que não sabe senão ver.
Mas o que fazem no mundo
Os homens nos gestos seus
Nada é mais firme ou profundo
Que este ar nas roupas ao fundo
Dos grandes quintais de Deus.
E eu no meu solene estudo
De como as cousas não são,
No qual compreendo tudo,
Vejo o branco agitar mudo
Da roupa sem coração.
E lembro, por diferença,
A semelhança que há
Entre a agitação intensa
Da roupa livre e suspensa
E aquela em que o homem está.
Ao sol e ao vento da vida
Livre e preso sob os céus
Oscila, coisa movida,
Mas é só roupa estendida
Nos grande quintais de Deus.
Foto de Guidinha Pinto, tirada de dentro de um eléctrico que descia da Graça para a Baixa Lisboeta.
2 comentários:
Guidinha,
Não sei do que gostei mais: o poema ou a foto. Que lugar é esse, que parece frequentar os meus sonhos?
Um grande abraço,
Eliane F.C.Lima
Olá Eliane. Este lugar é uma das muitas ruelas da velha Lisboa, a minha cidade Natal. Faz parte do meu imaginário e a senhora minha mãe vai comigo, a fazer de cicerone. Se gostou assim tanto, temho muito gosto em lhe enviar a foto, de minha autoria.
Muito obrigada pelo comentário.
Fique bem.
Aquele abraço.
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